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ETÉREO
(André Luís Gabriel)
O poeta inventa que é triste finge uma espécie de dor ausente, mas sabe que existe antes fosse seu criador
porque invento é reconhecido reproduzir é para mau fingidor mera idéia, antes ter sido não doeria triste o criado amor.
Escrito por a. gabriel às 11h01
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CONTO MÍNIMO
X da Questão
(André Luís Gabriel) Ela apaixonou-se perdidamente, à primeira vista. Ele, com segundas intenções.
Escrito por a. gabriel às 11h13
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ANTOLOGIA "POETAS DO CAFÉ FILOSÓFICO DAS 4"
O poema abaixo fez parte da antologia "Poetas do Café Filosófico das 4", da qual me orgulho de ter participado.
A PRIMEIRA MANHÃ DEPOIS DO INVERNO
(André Luís Gabriel)
Indiferente a qualquer trégua, por dias a fio a pontiaguda e nevrálgica chuva insistiu em esvaziar as quatro luas que velam os jardins da Primavera. O pequeno cintilar das mil velas desandou num teto cinza morto, percebeu-se uma trinca na porcelana dos enamorados volveu apenas uma dor espetada na garganta dos poetas foi solitária produção que se percebeu aos ouvidos, pressionados, alucinadamente latejantes.
Noite profunda escura, fria garoa em agonia sussurrante, dedos gélidos tateantes, desencontrados órfãos, ali, sós, em vã tentativa de redenção venturosa no toque se salvar na miscelânea colorida, embora frágil da sua pele, magnífica flor resistente, advinda da cor, adivinhando a proclamação da futura manhã sem saber ao certo o que será mas que em meio a tudo é o bálsamo que paralisa a dor do tempo, prossegue na noite redimindo as horas sem sono, sem sonho, perdidas e frias.
A pele nas pétalas negras da sua flor de folhas vivas e que anunciam a vida é o segundo sol, rompendo a manhã descobrindo o brilho na lágrima e no orvalho, mas sob a luz do novo dia.

Escrito por a. gabriel às 11h16
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 foto: fernando angulo
VENTUROSO
(André Luís Gabriel)
A cartomante jogou cartas para o vento, revelando sua futura paixão; vela. Ele, aventado percorreu velórios, soprou festas de aniversário, altares de promessa, encruzilhadas. De ínício, as velas avivavam suas chamas, para enfim esvairem-se consumidas. Triste, resolveu se lançar ao mar, lá encontrou o veleiro, paixão à primeira vista, correspondida, venturosa.
Escrito por a. gabriel às 11h02
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MANIFESTO DO DESCOMPROMISSO
Por todos os lugares onde ando e vou, um assunto é recorrente e quase uníssono: tempo. Ou melhor, a falta dele. Pergunto: para que inventamos os eletrodomésticos? Respondo: para economizarmos tempo. Pergunto: para que queremos automóveis velozes, computadores modernos, bank fone, e-mails, disk pizza, fast food, drive thru, caixas em supermercados que atendem clientes com menos de dez itens comprados, ensino supletivo? Respondam vocês! Seria para ganharmos tempo e facilitarmos nossas vidas incrivelmente curtas? Amigos, raros e caros leitores que dedicam alguma parte de vossos preciosos nacos de tempo a ler este blogue, sem mais delongas lanço este MANIFESTO DO DESCOMPROMISSO. Sim, descompromisso, com o tempo, com a falta dele e com todas as pequenas regras sociais que nos devoram carnes, massas cinzentas, minutos e espaço no calendário. Sim, tenho tempo, todos temos, acontece é que o danado é fugidio e escorre pelo ralo das convenções, pelo bueiro nas enchorradas (escrevi certo? não tive oportunidade de olhar o dicionário) de regras, esvai-se em filetes de preguiça sem propósito, perde-se em andanças sem sentido a lugares desconhecidos. Para não tomar desnecessariamente mais tempo de ninguém, farei o meu próprio, ao meu gosto, horas com quantos minutos eu queira, desperdiçadas ao meu modo. Cronogramas serão extintos, contarei os dias em luas e sóis. Não considero as visitas aos espaços que frequento como perda de tempo, pelo contrário, mas como disse, só mesmo eu entenderei meu próprio relógio.
CONTRAPONTO
(André Luís Gabriel)
I quando olho no espelho vejo sempre alguém mais velho
II tempo? é possível vê-lo quando se apara unhas e cabelo.
III o homem que se conforme é o tempo que o consome.
Escrito por a. gabriel às 11h07
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POEMA DE AMOR
Já que, por ocasião do último post, tanto se falou sobre o amor, sejá lá qual for a classificação, nomenclatura, subdivisão, enfim, deixo aqui um poema escrito por mim e para o meu amor.

Intempéries
(André Luís Gabriel)
Um dia perdido na vida de quem ama é um pedaço extraído que a alma reclama
se todas as vezes que o coração se engana reclamam vozes ardentes em chamas
e as coisas podem parecer arrastadas pelo furacão se vejo seus olhos a me deter fincando meus pés ao chão
como a flor do deserto e a tempestade no oceano exato é que nada é certo atemporal é que te amo.
Escrito por a. gabriel às 11h20
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CONTO MÍNIMO E POETRIX
RECREIO
(André Luís Gabriel)
Brilho nos olhos, a aluna pergunta ao professor atônito: o que é amor platônico?
EXPECTATIVAS
(André Luís Gabriel)
Dizes coisas em segredo coisas dentro de coisas que me metem medo.

Escrito por a. gabriel às 11h08
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DIA MARCADO
Outra quarta-feira e, conforme o CRONOGRAMA, dia de ALMA. Hoje publico um texto lindo da minha amiga poeta Selma Mello, que traduziu a alma em silêncio. Peço a permissão da Selma para também postar dois haicais meus, ambos sobre o silêncio. Abraço à todos.
O Silêncio
(Selma Mello)
Sem fala e sem palavras, sem que a voz seja ouvida, como herói, pecorrendo seu caminho, na terra se espalha um eco da sua silênciosa linguagem.
O dia passa a mensagem para outro dia, a noite a sussurrar para outra noite.
No quarto, descansa a alma sob o seu leito, a boca eternamente se fecha diante do próprio pensamento.
HAICAIS by André Luís Gabriel
I
Engolir o grito é o que agiganta o abismo na garganta.
II
Bambu lançado ao ar assobia canção que o chão vai calar.

Escrito por a. gabriel às 11h19
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PALIMPSESTO
1 – Antigo material de escrita, principalmente o pergaminho, que, devido à sua escassez, era usado mais de uma vez.
2 – Manuscrito sob cujo texto se descobre a escrita ou escritas anteriores.
(Minidicionário Escolar Aurélio, 2001)
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Ah, a Idade Média, aquela que a História Moderna dos Iluministas condenou à escuridão, às trevas .
Idade Média, a era das trevas versus Iluministas, "os pensadores", que confronto injusto! diria Tomás de Aquino.
Antes da invenção do papel como o conhecemos hoje, aqueles que faziam uso da escrita, das gravuras, muitas vezes, por dificuldade em conseguir onde materializar suas mensagens, faziam-no por cima de uma "folha" já utilizada, originando um palimpsesto, que é exatamente isso, uma escritura ou gravura qualquer sobreposta a outra e utilizando uma mesma superfície.
Resumindo, seria como escrever (gravar) sobre (por cima de) algo que já tem outras impressões.
Atualmente, há fartura de onde escrever (papel), embora pareça não haver a mesma disponibilidade sobre o que escrever.
Abelardo Barbosa, filósofo contemporâneo, não se equivocou: "... nada se cria, tudo se copia", sendo que eu apenas acrescentaria, se copia sobre aquilo que em si já é uma cópia.
Sendo assim, tenho permissão para gravar minhas impressões sobre quaisquer outras, minhas cópias sobre cópias alheias, cabendo aos raros leitores deste espaço a tolerância com mais este pretensioso escrevinhador.
PS: quando vejo uma pessoa tatuada sempre lembro do palimpsesto. |
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Poema marcado
(André Luís Gabriel)
Pena papel rabiscando vida nascendo poesia
navalha na carne tatuando verdades adeus utopia.

Escrito por a. gabriel às 11h05
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DI CAVALCANTI
Hoje é dia de imagem de Di Cavalcanti e texto meu aproveitando carona no trabalho do gênio (perdoem-me caros e raros leitores).
 Mulata em rua vermelha (Di Cavalcanti)
Mulata em Rua Vermelha
(André Luís Gabriel)
Flor amarela, vestido branco dorso nú, rua vermelha. A pele aquarela alma brasileira.
Escrito por a. gabriel às 11h05
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DIA MARCADO (COM ATRASO)
Meu PC está com problemas técnicos, por isso o atraso no post. Durante a semana publiquei um poema que aborda as pedras, os caros e raros leitores comentaram que havia uma certa injustiça em olhar pedras apenas como obstáculos. Aproveitando a oportu_ nidade, publico hoje este outro, sob uma perspectiva outra. Ah, este participou da "Antologia Poetas do Café das 4".
As Pedras do Caminho
(André Luís Gabriel)
O que há por trás das catedrais? E sob os paralelepípedos das ruas históricas de Ouro Preto? A força é o que há, seja pela fé que move montanhas ou pela luta que edifica. Na casa do Senhor há suor e no caminho que leva até ela houve pedras coisas que o homem sem fé não ouve. A semana que vem é um exército inimigo cada dia um gigante você só tem uma pedra e a fé. A pedra e a montanha. A fé é a pedra fundamental da catedral a montanha é só uma pedra no caminho. A que servem a montanha e o monumento senão mostrar o tamanho da semente da fé? Se todo trabalho é sagrado, não foram em vão as pedras carregadas na escravidão nem o serão aquelas trocadas por pão, pedra preciosa. A casa no rochedo é tua o castelo de areia é para tua semente.
Escrito por a. gabriel às 12h23
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Amanhã, com certeza, publicarei algo mais leve, por hoje segue;
CACHORRO LOUCO
(André Luís Gabriel)
Sou cachorro louco em pleno agosto para teu desgosto não morro
um dia me amou hoje tem medo desse arremedo do que fui e sou
faz sinal da cruz em credo basta eu te olhar tento latir só consigo espumar
já não me dão água ou ração sei, receberei um tiro no pulmão
pauladas na cabeça uma cova rasa no fundo do quintal de casa
sem que mesmo mereça apenas mais algumas horas para que até a criança me esqueça.
Escrito por a. gabriel às 11h06
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