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HAICAIS by André Luís Gabriel
de sapos, chuvas, uvas e silêncios
I. chuva no lago expande os domínios do sapo
II. o sapo olha o reflexo das águas, silêncio vivo
III. forte chuva, por hora a raposa desiste da uva
Escrito por a. gabriel às 12h32
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O NÁUFRAGO
(André Luís Gabriel)
Muitas vezes, para se colher a rosa é preciso ir a um jardim muito distante sem saber aproveitar a beleza das pedras no caminho sem sorver a chuva que alegra a flor sem se aquecer ao sol que doura a terra sem saber colhê-la sem perceber o espinho. Grande parte das vezes só nos recordamos que o mar é salgado e profundo sem a capacidade de criarmos navios que o transponha sem compreender que se existe o náufrago é porque a esperança só nos deixa depois da vida. O que dizer daqueles que encaminham suas rosas como oferendas aos deuses do mar? O mar é um interminável caminho onde a pedra e o sol são castigos e a chuva é fonte de doçura, não para a rosa dos deuses. Ao náufrago não interessa o medo do desconhecido pois a vida pode morar na perdida e isolada ilha. Por isso, náufrago, ao colher a rosa, é preciso usar todos os sentidos saber olhar para trás, quem sabe depois de ter atravessado oceanos tempestades, a pele queimada pelo sal e pelo sol implorando por uma pedra a te calçar os pés sorvendo cada gota caída do céu para enfim, na terra desconhecida, longe dos olhos dos humanos colher a rosa solitária, regá-la de beijos compreender seus espinhos e oferecê-la, não ao deus do amor mas a si mesmo como alimento ao Deus que dá a vida.
Escrito por a. gabriel às 12h29
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Perspectivas
(André Luís Gabriel)
I - Um poeta, sobre o pássaro engaiolado
Ainda que na gaiola, aprisionado o gorjeio do pássaro encanta e mesmo sem nem saber do ditado seu canto, nossos males espanta.
II- Funcionário mal humorado de loja Pet Shop
Passarinho preso e ainda assim faz seresta ôh serzinho leso êita bichinho besta!
III - O próprio
Aos que ouvem meu canto desconhecem o timbre de pranto pois meu mundo é uma cela rasa pouco mais que um abrir de asas.
Sonhar o inevitável voar, proteger-me sob celeste manto ao partir desse mundo planarei à minha verdadeira casa.
Escrito por a. gabriel às 12h37
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